Amaral Oliveira (org.) Estudos do discurso: perspectivas teóricas

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Estudos dos discursosAmaral Oliveira, L. (obra organizada por): Estudos do discurso. Perspectivas teóricas. Parábola Editorial.

Estudos do discurso (perspectivas teóricas) é voltado para os estudantes de Letras, graduandos e pós-graduandos, em busca de embasamento teórico para se aprofundarem em pesquisas sobre o discurso. Este livro apresenta fontes importantes nas quais estudiosos do discurso têm bebido, dá a conhecer um pouco dessas fontes para compreendermos melhor o pensamento de teóricos que se debruçaram sobre fenômenos do discurso. Você quer saber como Foucault, Ducrot, Althusser e Bourdieu contribuíram para os estudos do discurso? Aqui há informações e reflexões importantes sobre as contribuições desses e de outros oito teóricos. Este livro é único no mercado editorial brasileiro, pois apresenta as fontes em que Pêcheux, Charaudeau, Maingueneau, Fairclough e van Dijk beberam. Este livro é politicamente motivado, tanto em termos das micropolíticas que regem o universo acadêmico e que reduzem o espaço dos estudos do discurso no currículo dos cursos de Letras, quanto em termos das políticas que regem o universo social de um país como o nosso e que condicionam os jogos político-partidários, os jogos identitários e o jogo da luta de classes. O objetivo é inquietar você, provocar você com questões fundamentais para a produção de sentidos. 

Informação editorial

Discursos de resistência - Irene Ramalho Santos

Publicado en Simposium EDiSo 2015

Discurso da Conferência Plenária do II Simposio EDiSo - 18 junho 2015
Maria Irene Ramalho Santos
Centro Estudios Sociais e Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Começo por agradecer à organização, e muito especialmente à Clara Keating, o gentil e honroso convite que me foi dirigido para proferir esta conferência. Começarei por rever e delimitar os dois conceitos que constituem o meu título – discursos e resistência – para me debruçar em seguida sobre algumas formas de resistência e seus discursos em contextos diversos, desde o político, o social e o cultural até ao que está mais próximo dos meus interesses académicos: a poesia, no seu sentido lato, e o cânone literário. Confesso que o meu projecto me intimida. Sinto-me como Foucault quando ele estava prestes a proferir a sua conferência – L’ordre du discours – no Collège de France em 2 de Dezembro de 1970: “Em vez de tomar a palavra, quem me dera poder ser envolvido por ela…” [Plutot que prendre la parole, j’aurais voulu être enveloppé par elle…]1  Mas agora não há nada a fazer.

IRSEtimologicamente, discurso deriva do latim clássico discursus, com o sentido original de sair correndo em várias direcções, e daí dispersão, agitação, correria; mas também, trajectória, como por exemplo a dos astros. Só mais tarde, no século IV, adquiriu o sentido de conversação e, mais tarde ainda, o conceito de discurso racional (em inglês, por volta do século XIV, em português no século seguinte). Em inglês, discourse ganhou ainda outros sentidos, como passagem do tempo e até corrimento. Para os meus objectivos, adoptarei sobretudo, embora não exclusivamente, a ideia de discurso com o sentido que lhe vem já do início do século XVI, ou seja, a faculdade de raciocínio linguístico ou o fio de um pensamento na língua. Foi preciso esperar pelo século XX e por Foucault para perceber que a própria faculdade de raciocínio reside na língua e que a língua-do-que-é-dito depende, mais do que de quem diz, disso mesmo que é dito e de onde é dito, e onde e quando o dito ocorre. Acontece até, como é sabido, que, na esteira de Foucault, Roland Barthes e Jacques Derrida cometeram a proeza de assassinar o autor ao sugerirem que a língua não é falada por um sujeito, antes fala ela o sujeito, e fala pelo sujeito. Reconheço a antiguidade e o poder da língua, mas encaro com cautela o falecimento do autor anunciado pelo pós-estruturalismo. O que a expressão – a morte do autor – realmente significa é que a autoridade do autor passou a estar sempre em causa. Mesmo autores bem seguros de si, para já nem falar de estudantes, são muitas vezes surpreendidos a retorquir: “não foi isso o que eu quis dizer”. É por isso que sentimos tão frequentemente a necessidade de rever os nossos discursos. A repetir com diferença ou, como diz a poeta feminista americana, Adrienne Rich, a recorrer constantemente ao “privilégio verbal” de “começar a falar de novo” [the verbal privilege of starting to speak again].2

EDiSo 2015 - Travel and transportation

Publicado en Simposium EDiSo 2015

Coimbra 2015In just two weeks, we are going to welcome everyone in Coimbra for the three days of our EDiSo Symposium. We want to ensure a warm welcome, a comfortable stay and a good working environment for all.

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