Painel Temático 12

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Chaves, Ramon Silva / Ferreira, Anderson - Identidade e alteridade negra nos cadernos escolares: emancipação e vigilância

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Autoria Chaves, Ramon Silva  (PUC- SP / CLUP-UP / CAPES)
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Ferreira, Anderson  (PUC-SP / ILCH-UM / CAPES) Esta dirección de correo electrónico está siendo protegida contra los robots de spam. Necesita tener JavaScript habilitado para poder verlo.
Título Identidade e alteridade negra nos cadernos escolares: emancipação e vigilância
Sessão PT12. Politicamente correto em texto(s) e discursos: um olhar multicultural

Resumo

Os três primeiros séculos de formação da cultura brasileira foram besuntados à escravidão do negro africano, sequestrado de sua terra de origem e obrigado ao trabalho em condições precárias e perversas. A denúncia destes séculos de cultura escravagista é parte essencial para a composição da identidade e da alteridade negra na contemporaneidade brasileira e, em especial, na responsabilidade da escola de ensino básico na emersão crítica a estas questões às gerações que, doravante, nortearão o processo de equidade e equilíbrio social, corrompendo, deste modo, a desigualdade étnica e social que hoje persiste em nosso país.

Neste sentido, o presente trabalho tem como escopo o estudo da constituição do ethos discursivo no Caderno do Aluno na disciplina de História no âmbito da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo – SEESP, dando ênfase aos eventos relacionados aos africanos como escravos no Brasil. Procura-se responder de que modo a linguagem utilizada nesses Cadernos contribui para o debate/embate de uma política emergente no âmbito das questões étnico-raciais e se o discurso do “ser politicamente” (in)correto, passa, de modo imperioso, a constituição do “novo” ethos discursivo do negro no Brasil.

Visa-se, em primeiro lugar, a identificar os elementos que compõem o ethos do negro africano, observando, desse modo, os recortes que são promovidos pelo posicionamento da SEESP frente às questões étnico-raciais de interesse da coletividade. Em seguida, identificado estes recortes, objetiva-se a verificar em que medida a linguagem utilizada pelo discurso pedagógico da SEESP contribui para emancipação do sujeito negro brasileiro, uma vez que a vigilância do politicamente correto pode, em certa medida, inferiorizar este sujeito como aquele que não tem voz. Para tanto, privilegiou-se como aporte teórico-metodológico a Análise do Discurso de linha francesa, em particular, os estudos propostos por Dominique Maingueneau sobre a noção de ethos discursivo, por corresponder à necessidade de averiguação nos discursos ético-raciais no Caderno do Aluno na disciplina de História da SEESP. De outro modo, por uma necessidade interdisciplinar do presente tema, selecionou-se a concepção de identidade e alteridade do sociólogo norte-americano Stuart Hall a fim de trazer à luz a noção de negro, o qual fora, de modo brutal, extraído de sua origem para ser reduzido à condição de escravo em um solo que viria a ser o Brasil, enquanto Estado de Direito. Sugere-se, com isso, uma associação dos Estudos do Discurso às Ciências Sociais como instrumentos de exame do posicionamento sócio, político e pedagógico da SEESP em relação à participação do negro na sociedade contemporânea brasileira, mormente, frente às questões de desigualdade, injustiça e preconceitos étnico-raciais.

Trata-se, portanto, de refletir, de modo geral, se a linguagem do politicamente (in)correto é uma forma de emancipação do negro no Brasil ou mais um modo de vigilância e manutenção de suas atuais condições sociais.