Comunicações Livres 01. Mass media e discursos da imprensa

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Rodrigues, Márcio Silva / Silva, Rosimeri Carvalho da - A Revista VEJA e o discurso da centralidade da empresa no Brasil

. Publicado en Comunicações Livres 01. Mass media e discursos da imprensa

Autoria Rodrigues, Márcio Silva  (UFPel / UFRGS)
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Silva, Rosimeri Carvalho da  (UFPel / UFRGS)
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Título A Revista Veja e o discurso da centralidade da empresa no Brasil
Sessão CL01. Mass media e discursos da imprensa

Resumo

Um acontecimento único na história da humanidade, o processo de empresarização está relacionado à crescente influência da empresa sobre os seres humanos e outras organizações/instituições (SOLÈ, 2008). Fruto da combinação de diversas vozes, tal processo se manifesta a partir de um discurso cuja empresa e as maneiras de agir e de pensar que a sustentam (o individualismo, o economicismo, a escassez, a propriedade privada, a racionalidade, o desenvolvimento e a ideologia do progresso) são tomadas como referência, como um conjunto de práticas historicamente situadas que concorrem para circunscrever e naturalizar a maneira como as coisas devem ser percebidas, descritas, enunciadas. Essa constatação parece implicar no reconhecimento de que os discursos emanados por outras instituições, mesmo tratando temas aparentemente distantes da esfera econômica, possuem um importante papel nesse processo. Assim, considerando o campo da Educação Superior como um espaço crucial consolidação de práticas voltadas à cidadania, à crítica e à democracia, a metodologia da Análise Crítica do Discurso (FAIRCLOUGH, 1995, 2001) foi utilizada para compreender como o discurso produzido e disseminado pela revista VEJA entre 1968 e 2010 sobre o campo em questão contribui para construir e sustentar a empresa como instituição no Brasil. De forma geral, ao longo das 31 reportagens de capa selecionadas é possível perceber o esforço do maior semanário brasileiro em construir um padrão textual cujo objetivo consiste em explicar sem, contudo, abrir espaço para diferenças. Afora a cuidadosa articulação de vozes e fatos ratificadores de sua posição, VEJA toma a empresa e determinadas maneiras de agir e de pensar (a escassez, a ideologia do progresso, a racionalidade e o economicismo) como uma espécie de base comum para abordar todos os assuntos presentes no corpus. Todavia, ao impactar nas representações da empresa e na exaltação de uma ou outra maneira de agir e de pensar, uma das principais implicações dessa orientação economicista e instrumental assenta-se na maneira como o Ensino Superior foi retratado em suas páginas. Diretamente relacionada às mudanças no papel do Estado, VEJA, ao longo do período analisado, claramente modificou sua compreensão sobre a função daquele nível de ensino e, por consequência, cindiu o agendamento das questões do campo em dois momentos distintos: antes e depois de 1990. Marcado pela centralidade do Estado no ordenamento social, por uma aproximação do semanário ao projeto político da ditadura e por sua respectiva compreensão da empresa como um modelo de eficiência a ser seguido pela universidade, no primeiro momento, a educação superior era tratada como um meio ao desenvolvimento econômico do país. Com o fim do regime militar e a emergência do discurso do Estado (neo)liberal Schumpeteriano, paralelo à sua compreensão como um meio ao desenvolvimento, no segundo momento, o ensino superior passou a ser tratado também como um instrumento de satisfação das necessidades individuais. Diante desse cenário, é cada vez mais comum em seus textos a presença de guias destinados a estabelecer o perfil de trabalhador esperado por aquela que, conforme a revista, tornou-se a instituição central no processo de desenvolvimento econômico do Brasil: a empresa.