Comunicações Livres 08. Discurso, poder e espaço público

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Mora, Teresa - House on Fire, arte política e debate público

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Autoria Mora, Teresa  (CICSNova – Universidade do Minho)
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Título House on Fire, arte política e debate público
Sessão CL08. Discurso, poder e espaço público

Resumo

A recente criação da rede House on Fire, fundada em 2011 pelo Maria Matos – Teatro Municipal de Lisboa, configura-se, no contexto nacional, um caso propício ao objectivo de investigarmos a relevância actual da arte política no debate público sobre a sociedade europeia. Por arte política entenda-se a arte que distende o questionamento do modo de organização da sociedade nas suas estruturas de poder e de dominação. Precisamente, o enquadramento programático da Rede House on Fire no “paradigma da responsabilidade social e do activismo” devolve-nos o ponto de vista político a partir do qual pretendemos seccionar a arte. De igual modo, a delimitação à escala europeia dos espectáculos de teatro, dança e performance coproduzidos e exibidos pelos dez teatros (europeus) da House on Fire coloca-nos no contexto adequado ao objectivo definido.

Para uma abordagem da Rede House on Fire centrada na sua produção discursiva, situamo-nos no intervalo temporal 2012-2015 da sua programação, analisando material documental vário, nomeadamente, o site de divulgação da rede ao público, os planos de actividade e os programas e folhas de sala. O conjunto da informação é trabalhado a dois níveis: o do pólo discursivo do Maria Matos, enquanto agente coordenador do programa da rede, e o dos nós discursivos das companhias artísticas, elas próprias produtoras de enunciados.

A estes dois níveis, a análise é orientada por três eixos. Primeiro, identificar focos temáticos de crítica societal, bem como avaliar em que medida essa posicionalidade inscreve, com uma intensidade e um potencial alternativo variáveis, o elemento “utópico”, isto é, o desvio e a abertura a outros modos possíveis de estar, de ter, de ser, em suma, de viver (cf. Ruyer, 1950). Segundo, examinar similitudes de natureza temática, conceptual e autoral entre os focos de crítica identificados na produção discursiva da House on Fire e eventuais repertórios de ação (cf. Tilly, 1986), provenientes dos regimes discursivos científico e filosófico. A este respeito, pressupomos que a ocorrência de recursos científico-filosóficos no discurso agenciado pela House on Fire indicia uma posicionalidade de colaboração entre a prática científico-filosófica e a prática artística, que vem transpor a tradicional divisão institucional dos lugares da arte e da ciência no debate público. Terceiro, averiguar a relevância que ao público é conferida na acção discursiva da House on Fire, interessando-nos compreender em que medida se verifica a tendência actual, nas artes performativas e nas artes em geral, para o espectador ser reposicionado como co-produtor ou participante da obra de arte (Bishop, 2012).