Pires, Livia Maria Falconi - Sob a esteira do equilíbrio: constituição da mulher política brasileira em campanha eleitoral

Publicado en Posters

Autoria Pires, Livia Maria Falconi  (Universidade Federal de São Carlos / Université Toulouse 2 - Jean Jaurès)
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Título Sob a esteira do equilíbrio: constituição da mulher política brasileira em campanha eleitoral
Sessão PO. Posters

Resumo

Ao longo do atual processo democrático brasileiro tivemos, pela primeira vez no Brasil, de maneira evidente, a presença da mulher concorrendo como candidata ao governo federal em 2006, alcançando o lugar de presidente em 2010. Assim, focamos nossa análise no presente trabalho na constituição da mulher política em campanha eleitoral presidencial brasileira, mais especificamente da presidente Dilma Roussef, centrando-nos no último debate do segundo turno das eleições presidenciais de 2010, no Brasil.

O campo político é historicamente marcado pela dominação masculina, o que é corroborado pela noção dual e separatista entre homem e mulher, a qual preconiza o espaço privado delegado à mulher e o espaço público delegado unicamente ao homem, ou seja, “a estrutura do espaço, com oposição entre o lugar da reunião ou do mercado, reservados aos homens, e a casa, reservada as mulheres (...)” (Bourdieu, 1998, p. 22 e 23). Assim, ocupando um ambiente historicamente masculino, a mulher política transita entre dois lugares, o feminino e o masculino, marcados em sua imagem e em seu dizer, os quais constituem, juntamente, o sujeito político eleitoral “mulher”. A imagem da candidata brasileira Dilma Rousseff encontra-se na esteira do equilíbrio, marcas do feminino e do masculino constituíam-na, permitindo-a transitar nos dois lugares e dessa maneira tentando “assegurar a compatibilidade da imagem entre o feminino e o político, há muito tempo construída como antônima e contraditória” (Coulomb-Gully, 2012). O discurso político contemporâneo, o qual é caracterizado por uma “língua de vento” (Pêcheux e Gadet, 2004, p. 23), que dá amplas margens para o lugar de destaque do homem político, se inscreve e se adéqua aos aparatos audiovisuais, sendo que “o verbo não pode mais ser dissociado do corpo e do gesto, a expressão pela linguagem conjuga-se com aquela do rosto, de modo que não podemos mais separar linguagem e imagem” (Courtine, 2011, p.150). Dessa maneira, o gênero debate eleitoral presidencial reafirma o entrelaçamento de verbo e imagem, configurando-se como uma arena para o embate discursivo eleitoral, já que cada candidato/candidata deve fazer a propaganda de si e sua imagem deve ser coerente com sua proposição política. Diante dessas problemáticas, apoiamo-nos na análise do discurso de linha francesa enquanto abordagem teórico-metodológica, mobilizando trabalhos de Michel Pêcheux, Michel Foucault e Jean-Jacques Courtine acerca da noção de discurso, discurso político. Além desse aporte, mobilizaremos alguns trabalhos de diferentes origens teóricas como os de Coulomb-Gully que, na atualidade, têm se ocupado da discussão sob o sujeito político nas discursividades sincréticas.