Zozaya, Leonor - O poder da informação visual para reconhecer a propriedade do território antigamente

Publicado en Comunicações Livres 08. Discurso, poder e espaço público

Autoria Zozaya, Leonor   (Universidade de Coimbra)
Esta dirección de correo electrónico está siendo protegida contra los robots de spam. Necesita tener JavaScript habilitado para poder verlo.
Título O poder da informação visual para reconhecer a propriedade do território antigamente
Sessão CL08. Discurso, poder e espaço público

Resumo

Um objeto por excelência visual é estudado: as marcas do território. São analisados os conflitos sociais ocorridos antigamente na Península Ibérica quando alguém via que essas marcas tinham sido mudadas ilegitimamente. Sendo áreas onde não tinham mapas que marcassem as possessões, o governo tinha de socorrer-se da experiência visual e do conhecimento do território dos vizinhos para fazer justiça.

As marcas do território são sistemas visuais simples que servem para demarcar os limites das propriedades, termos e fronteiras, consistentes em indicar a extensão de uma propriedade com pedras espalhadas. Chamam-se marcos, mojones, marcas do território, etc., variando conforme o espaço geográfico peninsular. A sua aparência podia ser diversa: natural, esculpida, ou podia incluir uma legenda que graficamente identificava o proprietário do terreno.

Às vezes, alguém mudava esses marcadores de lugar, e quando outra pessoa se apercebia disso, porque vira e conhecia, começavam os conflitos de interesse, complexos para resolver pelo poder. Este tinha de recolher informação visual que contavam os vizinhos, com testemunhas dos habitantes locais, na ausência de mapas. Assim, a famosa frase "verba volant, scripta manent", que dá tanta importância à escrita, nestes casos é refutada.

Neste estudo histórico com carácter etnográfico, o reconhecimento da perceção visual da área territorial é entendido como uma prática necessária para estabelecer justiça. Revela como a sociedade articula visualmente o seu território, e como impacta visualmente uma mudança, um fato que permite denunciar uma irregularidade latente.

Se procurará estabelecer uma divisão dos comportamentos grupais entre os que denunciam e aqueles que são denunciados, tentando dividir aqueles que são os agentes que pretendem a mudança da propriedade. Também se tentará responder à questão de como o modelo visual suporta (ou não) certos discursos (dominante, vítimas... ).