Pereira, Maria Emília - Espaço público e linguagem: conjugalidade e parentalidade nos media e lei

Publicado en Comunicações Livres 08. Discurso, poder e espaço público

Autoria Pereira, Maria Emília   (Universidade do Minho)
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Título Espaço público e linguagem: conjugalidade e parentalidade nos media e lei
Sessão CL08. Discurso, poder e espaço público

Resumo

Discutem-se novas formas de sociabilidade que pré-existem a palavras e expressões impossíveis de reatualizar. Instanciar no espaço público, via discurso, itens lexicais torna-se tão improcedente quanto conotado, salvo que na esfera jurídica as realidades podem persistir em não estar contempladas.

O princípio pragmático linguístico de que a palavra esteja associada a determinada representação (entendida como socio-histórica) faz ver que o seu uso tenderá a estar igualmente circunscrito ao momento histórico em que ideologicamente se entendia determinada realidade veiculada por determinado léxico. Perpetuar um emprego lexical temporalmente marcado é tão ideológico, sectário e agónico quanto reclamar que essa realidade está inalterada ou pretender que novas realidades não sejam contempladas na livre e desassombrada expressão referencial que se lhes possa querer reclamar.

A expressão correlativa da mesma ideia ainda agora formulada é a de que escolher ater-se a palavras que tiveram o seu tempo e transmitiram realidades que, iniludivelmente foram discriminatórias ou estigmatizantes, é intransigente com assuntos que outros podem entender por candentes. I.e., julgar abordar léxico que não pode deixar de ser tido num determinado tempo por anacrónico é pretender silenciar, negar a discussão, debate ou compromisso. Fazê-lo publicamente equivale a arrogar-se o direito de enunciar uma posição que, de histórica e temporalmente marcada, apenas luta por se fazer ouvir, por negar espaço vocal ao seu contrário, o que querendo afirmar-se apenas patenteia a fragilidade, o desuso, a perda simbólica.

Se as subjetividades enunciativas não se fazem sem o reenvio às tomadas de posição acima descritas, fica também vincado que elas têm o aspeto social, comum, ou identitário coletivo de serem partilhadas num determinado tempo e espaço. A subjetividade linguística é, portanto, a apropriação de determinado discurso, como fundo disponível para que seja pensado topicamente (ou seja, num dado “aqui”). Assim, em determinado espaço social vão-se revelando determinantes, ou condicionantes, do que venha a ser verbalizado cujo conteúdo também ele é ainda função de quem o diz.

A posição teórica virá a descrever textos de circulação efetiva acerca de conjugalidade e parentalidade.